Tratamento cirúrgico das doenças da válvula mitral (insuficiência mitral, estenose mitral ou prolapso). Realizada pelas três vias de acesso modernas: convencional, minimamente invasiva por vídeo ou robótica, conforme a melhor indicação para cada caso.
A valva mitral é uma das quatro válvulas do coração. Localizada entre o átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo, ela controla o fluxo de sangue oxigenado que chega dos pulmões para o ventrículo, de onde será bombeado para todo o corpo. Quando a valva mitral não funciona adequadamente, há sobrecarga progressiva do coração, que pode evoluir para insuficiência cardíaca, arritmias e comprometimento significativo da qualidade de vida.
Ocorre quando a valva não fecha completamente, permitindo o refluxo de sangue do ventrículo para o átrio esquerdo durante a contração cardíaca. As causas mais comuns são prolapso da valva mitral (doença degenerativa), doença reumática, endocardite, insuficiência funcional secundária à dilatação do ventrículo esquerdo e ruptura de corda tendínea.
Ocorre quando há estreitamento da abertura da valva, dificultando a passagem do sangue do átrio para o ventrículo. A causa mais comum no Brasil continua sendo a doença reumática, embora existam causas degenerativas em pacientes idosos.
A decisão cirúrgica é baseada na gravidade da lesão, nos sintomas do paciente, na função do ventrículo esquerdo e em critérios ecocardiográficos específicos das diretrizes nacionais e internacionais (SBC, AHA, ESC). A avaliação deve ser conjunta entre cirurgião e cardiologista.
Sempre que tecnicamente viável, a plastia é preferida à troca — especialmente em casos degenerativos.
Reparo da própria valva do paciente, preservando seus tecidos nativos. Pode incluir ressecção de segmentos doentes, reconstrução de cordas tendíneas e implante de anel de anuloplastia para estabilizar o reparo.
Substituição da valva nativa por uma prótese valvar, que pode ser biológica (tecido bovino ou porcino) ou mecânica (liga metálica).
Três técnicas modernas, cada uma com suas indicações precisas.
Esternotomia mediana (abertura do osso do peito). Técnica clássica, segura, amplamente padronizada. Indicada em casos complexos, procedimentos combinados ou quando a abordagem minimamente invasiva não é viável.
Minitoracotomia direita de 4–6 cm, com auxílio de vídeo. Menor trauma, recuperação mais rápida, cicatriz discreta. Saiba mais →
Plataforma Da Vinci com portais de 8 mm. Precisão ampliada, visão 3D, cicatrizes mínimas. Excelente indicação para plastia mitral em casos selecionados. Saiba mais →
O tempo de internação e o retorno às atividades variam conforme a técnica escolhida:
Independentemente da técnica, o acompanhamento ambulatorial seriado com ecocardiograma é essencial: costuma-se realizar ecocardiograma em 30 dias, 6 meses e 12 meses no primeiro ano, e anual nos anos subsequentes, para monitoramento da durabilidade da plastia ou prótese.
No caso de prótese mecânica, o ajuste da anticoagulação (INR entre 2,5 e 3,5, dependendo da prótese) é parte fundamental do seguimento, feito em conjunto com cardiologista e hematologista quando necessário.
Sempre que tecnicamente viável, a plastia é preferida. Ela preserva os tecidos nativos do paciente, mantém melhor função ventricular no longo prazo e dispensa a anticoagulação permanente. A troca é indicada quando a valva está muito danificada para ser reparada com segurança — doença reumática avançada, calcificação extensa ou destruição por endocardite, por exemplo.
A escolha depende principalmente da idade e do perfil clínico: biológica evita anticoagulação de longo prazo mas dura 10 a 20 anos; mecânica dura toda a vida mas exige uso permanente de anticoagulante. Pacientes mais jovens, sem contraindicação à anticoagulação, costumam se beneficiar da mecânica. Pacientes mais idosos ou com contraindicação à anticoagulação tendem à biológica. A decisão é compartilhada entre paciente, cirurgião e cardiologista.
Não. Em pacientes selecionados — anatomia adequada, valvopatia isolada, sem doença coronariana multiarterial —, a cirurgia mitral pode ser realizada de forma minimamente invasiva por vídeo ou robótica, com resultados comparáveis à cirurgia convencional e recuperação significativamente mais rápida.
As próteses biológicas modernas têm durabilidade estimada em 10 a 20 anos, variável conforme idade do paciente, posição valvar, fatores anatômicos e características da prótese específica. Ao final de sua vida útil, pode ser necessária a substituição — em alguns casos, por via percutânea (valve-in-valve transcateter).
Depende. Após plastia valvar, geralmente o anticoagulante é necessário apenas por alguns meses. Após troca com prótese biológica, também costuma ser temporário. Após troca com prótese mecânica, a anticoagulação é vitalícia.
Nem sempre. A decisão depende da gravidade da insuficiência, do impacto sobre o ventrículo esquerdo (dilatação, disfunção), da pressão pulmonar e da presença de arritmias. As diretrizes modernas orientam intervenção em casos específicos mesmo antes dos sintomas aparecerem — por isso o acompanhamento seriado com ecocardiograma é essencial.
Agende consulta presencial ou teleconsulta para discutir a técnica mais indicada.
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