Correção do defeito no septo entre os átrios — percutânea ou cirúrgica, indicada após avaliação ecocardiográfica rigorosa do tamanho, da localização e das repercussões hemodinâmicas do shunt.
A Comunicação Interatrial (CIA), também chamada de defeito do septo atrial, é uma cardiopatia congênita em que persiste uma abertura anormal entre os átrios direito e esquerdo após o nascimento. Esse defeito permite a passagem de sangue do átrio esquerdo para o átrio direito (shunt esquerdo-direito), sobrecarregando o lado direito do coração e a circulação pulmonar ao longo das décadas.
É uma das cardiopatias congênitas mais frequentemente diagnosticadas na vida adulta — muitas pessoas passam décadas sem sintomas e são identificadas em exame de rotina ou na investigação de palpitações, cansaço ou dilatação de câmaras direitas ao ecocardiograma.
Muitos adultos com CIA são assintomáticos até a quarta ou quinta década de vida. Com o tempo, a sobrecarga de volume do coração direito pode levar a:
A investigação é essencialmente por ecocardiograma transtorácico e, quando necessário, ecocardiograma transesofágico, que permitem medir o defeito, avaliar as bordas, caracterizar o shunt e planejar a abordagem.
A decisão por fechar a CIA considera o tamanho do defeito, as repercussões hemodinâmicas e a presença de sintomas — sempre com avaliação ecocardiográfica detalhada.
A via ideal depende do tipo anatômico da CIA, do tamanho do defeito, da qualidade das bordas e da presença de lesões associadas.
Realizado por cateterismo, com implante de dispositivo oclusor (tipo Amplatzer ou similar) através da veia femoral, sob orientação de ecocardiograma transesofágico ou intracardíaco.
Indicado quando o fechamento percutâneo não é anatomicamente viável ou em tipos não-secundum. Pode ser feito por via convencional (esternotomia), minimamente invasiva (minitoracotomia lateral direita) ou robótica.
Redução progressiva do diâmetro das câmaras direitas após o fechamento, quando realizado antes de disfunção irreversível.
Melhora da capacidade funcional e redução da dispneia aos esforços em pacientes sintomáticos.
Redução da incidência de fibrilação e flutter atriais, especialmente quando o fechamento é precoce.
Eliminação da comunicação entre as câmaras, evitando passagem de êmbolos do sistema venoso para o arterial.
Redução do fluxo pulmonar excessivo, prevenindo a evolução para hipertensão pulmonar fixa.
Nas abordagens minimamente invasivas e percutâneas, retorno precoce às atividades cotidianas.
Após o fechamento cirúrgico, o paciente permanece em UTI por 12 a 24 horas, com alta hospitalar em 3 a 5 dias na maioria dos casos. Em fechamentos percutâneos, a alta ocorre tipicamente em 24–48 horas.
Nas primeiras semanas recomenda-se evitar esforços físicos intensos; a reabilitação cardiovascular é indicada de acordo com o caso. Fazem parte do seguimento:
Não. CIAs pequenas, sem repercussão hemodinâmica e sem sintomas podem ser apenas acompanhadas. A indicação de fechamento é clínica e ecocardiográfica, considerando tamanho do shunt, sobrecarga das câmaras direitas e sintomas.
O forame oval é uma estrutura normal da vida fetal que geralmente fecha após o nascimento; quando permanece, chamamos de forame oval patente (FOP) — em geral sem shunt significativo em repouso. A CIA é um defeito estrutural do septo atrial, com perda de tecido e shunt contínuo. As indicações de fechamento e os métodos também diferem. Veja a página sobre FOP.
Sim. CIAs do tipo ostium secundum, com bordas adequadas, podem ser fechadas por cateter, via veia femoral, com implante de dispositivo oclusor. Quando a cirurgia é necessária, existem as opções minimamente invasiva e robótica, que evitam a esternotomia convencional em casos selecionados.
No fechamento percutâneo, a alta costuma ocorrer em 24–48 horas. Na cirurgia por minitoracotomia ou robótica, em 3–5 dias. O retorno a atividades leves se dá em 2 a 4 semanas, com recuperação completa entre 4 e 8 semanas, conforme a via de acesso e o perfil do paciente.
Sim. Tanto o fechamento cirúrgico quanto o percutâneo são tratamentos definitivos na maioria dos casos. O seguimento ecocardiográfico confirma a ausência de shunt residual e o remodelamento das câmaras direitas ao longo dos meses seguintes.
Sim. A CIA é frequentemente diagnosticada já na vida adulta e o fechamento, quando indicado, pode ser realizado em qualquer idade — desde que não haja hipertensão pulmonar fixa. Fechar o defeito antes do surgimento de arritmias atriais e disfunção ventricular traz os melhores resultados de longo prazo.
Agende uma avaliação para discutir o melhor momento e a melhor via para o fechamento no seu caso.