Quando investigar, quando apenas acompanhar e quando há indicação de fechamento — condução baseada em evidência, com critérios clínicos bem definidos e discussão conjunta com o neurologista.
O forame oval é uma comunicação fisiológica entre os átrios durante a vida fetal, essencial para a circulação intrauterina. Após o nascimento, com a mudança do regime pressórico entre os lados direito e esquerdo do coração, essa comunicação funcional fecha-se na maior parte das pessoas nos primeiros meses ou anos de vida.
Quando o fechamento não é completo, permanece o Forame Oval Patente (FOP) — presente em aproximadamente 1 em cada 4 adultos. Na grande maioria dos casos, o FOP é uma variação anatômica assintomática e não requer nenhum tratamento. A relevância clínica surge em situações específicas.
Diferentemente da Comunicação Interatrial (CIA), o FOP não envolve perda de tecido do septo atrial: é uma fenda potencial entre duas lâminas, que pode abrir transitoriamente em situações que aumentam a pressão no átrio direito (manobra de Valsalva, tosse, esforço).
A investigação ativa de FOP faz sentido em situações clínicas nas quais a passagem paradoxal de êmbolos ou o shunt direito-esquerdo possam explicar o quadro:
O exame de escolha para o diagnóstico é o ecocardiograma com teste de microbolhas (bubble test), idealmente transesofágico. Ele confirma o FOP e permite caracterizar o shunt — parâmetros importantes para a decisão terapêutica.
A indicação de fechamento é clínica e individualizada. Os estudos CLOSE, REDUCE e RESPECT estabeleceram o fechamento percutâneo como superior ao tratamento clínico isolado em subgrupos bem definidos de AVC criptogênico.
O fechamento do FOP é realizado, na quase totalidade dos casos, por via percutânea, com cateterismo e implante de dispositivo oclusor. É um procedimento consagrado, de baixo risco em centros experientes, realizado pelo cardiologista intervencionista em conjunto com a equipe cardiovascular.
Cirurgia convencional é raramente indicada — reservada a falhas do fechamento percutâneo, anatomia desfavorável ao dispositivo ou quando há outra cirurgia cardíaca concomitante (por exemplo, revascularização ou cirurgia valvar) em que o fechamento do FOP pode ser realizado no mesmo tempo.
Em pacientes com AVC criptogênico e FOP de alto risco, o fechamento reduz a recorrência de eventos embólicos em comparação ao tratamento clínico isolado.
Em mergulhadores profissionais com eventos recorrentes, o fechamento pode permitir a continuidade da atividade com segurança.
Quando o shunt direito-esquerdo posicional é causa de dispneia e dessaturação, o fechamento resolve a síndrome.
Eliminação da via para passagem de êmbolos do sistema venoso para o arterial em pacientes com trombose venosa recorrente e indicação precisa.
Após o fechamento percutâneo, a recuperação costuma ser rápida:
Na maioria absoluta das situações, não. O FOP isolado, sem sintomas ou eventos clínicos relacionados, não requer tratamento — apenas orientação e acompanhamento conforme o contexto. A indicação de fechamento é clínica, não anatômica.
O forame oval é uma estrutura fetal normal que pode persistir sem perda de tecido do septo. A Comunicação Interatrial (CIA) é um defeito estrutural, com deficiência de tecido e shunt significativo contínuo. As indicações, os exames e as técnicas de fechamento também diferem.
Pode — especialmente em adultos jovens, após investigação completa que exclua outras causas. Escores clínicos como o RoPE e o PASCAL ajudam a estimar a probabilidade do FOP ser a fonte embólica. A decisão de fechamento é tomada em conjunto pelo neurologista e pelo cardiologista.
Por cateter na quase totalidade dos casos. O fechamento percutâneo com dispositivo é seguro, eficaz e de recuperação rápida. A cirurgia é reservada a situações excepcionais — falha do dispositivo, anatomia desfavorável ou quando há outra cirurgia cardíaca indicada no mesmo tempo.
A relação entre FOP e enxaqueca com aura é uma área de pesquisa ativa. Os ensaios clínicos disponíveis mostram resultados heterogêneos, e o fechamento não é indicação consensual para enxaqueca. A decisão, quando feita, exige avaliação neurológica criteriosa e discussão cuidadosa dos riscos e benefícios.
Atividades recreativas em geral não estão contraindicadas. Para mergulho profissional ou em condições de maior risco, a avaliação individualizada é necessária — especialmente na presença de episódios prévios de doença descompressiva.
Agende uma avaliação para discutir seu caso com base em evidência e em conjunto com seu neurologista/cardiologista.