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Forame Oval Patente (FOP)

Quando investigar, quando apenas acompanhar e quando há indicação de fechamento — condução baseada em evidência, com critérios clínicos bem definidos e discussão conjunta com o neurologista.

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O que é o Forame Oval Patente

O forame oval é uma comunicação fisiológica entre os átrios durante a vida fetal, essencial para a circulação intrauterina. Após o nascimento, com a mudança do regime pressórico entre os lados direito e esquerdo do coração, essa comunicação funcional fecha-se na maior parte das pessoas nos primeiros meses ou anos de vida.

Quando o fechamento não é completo, permanece o Forame Oval Patente (FOP) — presente em aproximadamente 1 em cada 4 adultos. Na grande maioria dos casos, o FOP é uma variação anatômica assintomática e não requer nenhum tratamento. A relevância clínica surge em situações específicas.

Diferentemente da Comunicação Interatrial (CIA), o FOP não envolve perda de tecido do septo atrial: é uma fenda potencial entre duas lâminas, que pode abrir transitoriamente em situações que aumentam a pressão no átrio direito (manobra de Valsalva, tosse, esforço).

Em que cenários pesquisar o FOP

A investigação ativa de FOP faz sentido em situações clínicas nas quais a passagem paradoxal de êmbolos ou o shunt direito-esquerdo possam explicar o quadro:

  • AVC isquêmico criptogênico em adultos jovens (sem causa identificada após investigação completa)
  • Ataques isquêmicos transitórios de causa não esclarecida
  • Embolia arterial sistêmica com suspeita de origem paradoxal
  • Síndrome de platipnéia-ortodeóxia (dispneia e dessaturação em ortostatismo)
  • Doença descompressiva recorrente em mergulhadores profissionais
  • Enxaqueca com aura refratária ao tratamento clínico (indicação controversa; discussão multidisciplinar)

O exame de escolha para o diagnóstico é o ecocardiograma com teste de microbolhas (bubble test), idealmente transesofágico. Ele confirma o FOP e permite caracterizar o shunt — parâmetros importantes para a decisão terapêutica.

Quando fechar o FOP

A indicação de fechamento é clínica e individualizada. Os estudos CLOSE, REDUCE e RESPECT estabeleceram o fechamento percutâneo como superior ao tratamento clínico isolado em subgrupos bem definidos de AVC criptogênico.

Cenários com indicação reconhecida

  • AVC isquêmico criptogênico em pacientes ≤ 60 anos com FOP e características de alto risco (shunt grande, aneurisma de septo atrial, escores RoPE/PASCAL favoráveis)
  • Síndrome de platipnéia-ortodeóxia documentada
  • Doença descompressiva recorrente em mergulhadores que não podem abandonar a atividade
  • Embolia paradoxal confirmada com fonte venosa documentada

Situações em que o fechamento não é indicado

  • FOP incidental em pessoas assintomáticas
  • AVC com causa alternativa identificada (ex.: fibrilação atrial, doença carotídea significativa)
  • Hipertensão pulmonar significativa
  • Trombose atrial ativa
  • Contraindicação à antiagregação plaquetária pós-procedimento
  • Enxaqueca sem outros critérios específicos (evidência limitada)

Fechamento percutâneo — o padrão atual

O fechamento do FOP é realizado, na quase totalidade dos casos, por via percutânea, com cateterismo e implante de dispositivo oclusor. É um procedimento consagrado, de baixo risco em centros experientes, realizado pelo cardiologista intervencionista em conjunto com a equipe cardiovascular.

  1. Planejamento com ecocardiograma transesofágico — medida do FOP, avaliação de aneurisma de septo atrial e caracterização do shunt.
  2. Anestesia e punção venosa femoral — acesso pela veia femoral direita, sob sedação ou anestesia geral conforme o caso.
  3. Posicionamento do dispositivo — passagem do cateter até o átrio direito, atravessamento do FOP e liberação do oclusor sob orientação de imagem.
  4. Verificação do resultado — ecocardiograma transesofágico ou intracardíaco confirmando a oclusão adequada.
  5. Retirada dos cateteres e hemostasia — compressão local, curativo e repouso inicial.
  6. Alta em 24–48 horas na maioria dos casos, com retorno rápido às atividades.

Cirurgia convencional é raramente indicada — reservada a falhas do fechamento percutâneo, anatomia desfavorável ao dispositivo ou quando há outra cirurgia cardíaca concomitante (por exemplo, revascularização ou cirurgia valvar) em que o fechamento do FOP pode ser realizado no mesmo tempo.

O que o fechamento do FOP pode evitar

Redução do risco de novo AVC

Em pacientes com AVC criptogênico e FOP de alto risco, o fechamento reduz a recorrência de eventos embólicos em comparação ao tratamento clínico isolado.

Prevenção de doença descompressiva

Em mergulhadores profissionais com eventos recorrentes, o fechamento pode permitir a continuidade da atividade com segurança.

Controle da platipnéia-ortodeóxia

Quando o shunt direito-esquerdo posicional é causa de dispneia e dessaturação, o fechamento resolve a síndrome.

Prevenção de embolia paradoxal

Eliminação da via para passagem de êmbolos do sistema venoso para o arterial em pacientes com trombose venosa recorrente e indicação precisa.

Pós-procedimento

Após o fechamento percutâneo, a recuperação costuma ser rápida:

  • Alta hospitalar em 24 a 48 horas
  • Retorno a atividades leves em poucos dias
  • Esforços físicos intensos evitados nas primeiras 2 a 4 semanas
  • Antiagregação dupla (AAS + clopidogrel) por 1 a 6 meses, seguida de AAS isolado por período adicional, conforme protocolo
  • Ecocardiograma de controle entre 30 e 90 dias
  • Seguimento conjunto com cardiologista e, nos casos de AVC, com neurologista

Perguntas comuns sobre o FOP

Na maioria absoluta das situações, não. O FOP isolado, sem sintomas ou eventos clínicos relacionados, não requer tratamento — apenas orientação e acompanhamento conforme o contexto. A indicação de fechamento é clínica, não anatômica.

O forame oval é uma estrutura fetal normal que pode persistir sem perda de tecido do septo. A Comunicação Interatrial (CIA) é um defeito estrutural, com deficiência de tecido e shunt significativo contínuo. As indicações, os exames e as técnicas de fechamento também diferem.

Pode — especialmente em adultos jovens, após investigação completa que exclua outras causas. Escores clínicos como o RoPE e o PASCAL ajudam a estimar a probabilidade do FOP ser a fonte embólica. A decisão de fechamento é tomada em conjunto pelo neurologista e pelo cardiologista.

Por cateter na quase totalidade dos casos. O fechamento percutâneo com dispositivo é seguro, eficaz e de recuperação rápida. A cirurgia é reservada a situações excepcionais — falha do dispositivo, anatomia desfavorável ou quando há outra cirurgia cardíaca indicada no mesmo tempo.

A relação entre FOP e enxaqueca com aura é uma área de pesquisa ativa. Os ensaios clínicos disponíveis mostram resultados heterogêneos, e o fechamento não é indicação consensual para enxaqueca. A decisão, quando feita, exige avaliação neurológica criteriosa e discussão cuidadosa dos riscos e benefícios.

Atividades recreativas em geral não estão contraindicadas. Para mergulho profissional ou em condições de maior risco, a avaliação individualizada é necessária — especialmente na presença de episódios prévios de doença descompressiva.

Tem dúvidas sobre o diagnóstico ou a indicação de fechamento?

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