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Fechamento de Comunicação Interatrial (CIA)

Correção do defeito no septo entre os átrios — percutânea ou cirúrgica, indicada após avaliação ecocardiográfica rigorosa do tamanho, da localização e das repercussões hemodinâmicas do shunt.

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O que é a Comunicação Interatrial

A Comunicação Interatrial (CIA), também chamada de defeito do septo atrial, é uma cardiopatia congênita em que persiste uma abertura anormal entre os átrios direito e esquerdo após o nascimento. Esse defeito permite a passagem de sangue do átrio esquerdo para o átrio direito (shunt esquerdo-direito), sobrecarregando o lado direito do coração e a circulação pulmonar ao longo das décadas.

É uma das cardiopatias congênitas mais frequentemente diagnosticadas na vida adulta — muitas pessoas passam décadas sem sintomas e são identificadas em exame de rotina ou na investigação de palpitações, cansaço ou dilatação de câmaras direitas ao ecocardiograma.

Tipos de CIA

  • Ostium secundum — tipo mais comum (cerca de 70–80% dos casos), localizada na porção central do septo (fossa oval). A maioria pode ser fechada por cateter.
  • Ostium primum — na porção inferior do septo, frequentemente associada a anormalidades da valva mitral. Requer tratamento cirúrgico.
  • Seio venoso — próxima à entrada das veias cavas, comumente associada à drenagem anômala de veias pulmonares. Tratamento cirúrgico.
  • Seio coronário — variante rara, na porção posteroinferior do septo. Tratamento cirúrgico.

Sintomas e repercussões

Muitos adultos com CIA são assintomáticos até a quarta ou quinta década de vida. Com o tempo, a sobrecarga de volume do coração direito pode levar a:

  • Cansaço e falta de ar aos esforços progressivos
  • Palpitações e arritmias atriais (especialmente fibrilação atrial e flutter)
  • Dilatação do átrio direito e do ventrículo direito
  • Elevação da pressão na artéria pulmonar (hipertensão pulmonar)
  • Risco de embolia paradoxal (passagem de êmbolo do sistema venoso para o arterial)
  • Insuficiência cardíaca direita nas fases avançadas

A investigação é essencialmente por ecocardiograma transtorácico e, quando necessário, ecocardiograma transesofágico, que permitem medir o defeito, avaliar as bordas, caracterizar o shunt e planejar a abordagem.

Quando indicar o fechamento

A decisão por fechar a CIA considera o tamanho do defeito, as repercussões hemodinâmicas e a presença de sintomas — sempre com avaliação ecocardiográfica detalhada.

Indicações reconhecidas

  • Shunt esquerdo-direito significativo (Qp/Qs ≥ 1,5)
  • Sobrecarga de câmaras direitas ao ecocardiograma
  • Sintomas atribuíveis à CIA (dispneia, palpitações, intolerância ao esforço)
  • Antecedente de embolia paradoxal
  • Arritmias atriais associadas à sobrecarga direita
  • Pacientes jovens e adultos sem hipertensão pulmonar fixa

Situações que exigem cautela

  • Hipertensão pulmonar grave e fixa (síndrome de Eisenmenger)
  • Shunt direito-esquerdo predominante
  • CIA pequena sem repercussão hemodinâmica
  • Doenças sistêmicas que contraindiquem anticoagulação ou antiagregação pós-procedimento
  • Comorbidades que aumentem desproporcionalmente o risco

Percutâneo ou cirúrgico — como escolher

A via ideal depende do tipo anatômico da CIA, do tamanho do defeito, da qualidade das bordas e da presença de lesões associadas.

Fechamento percutâneo

Realizado por cateterismo, com implante de dispositivo oclusor (tipo Amplatzer ou similar) através da veia femoral, sob orientação de ecocardiograma transesofágico ou intracardíaco.

  • Indicado principalmente para CIA ostium secundum com bordas adequadas
  • Sem necessidade de esternotomia ou circulação extracorpórea
  • Recuperação hospitalar de 24–48 horas
  • Antiagregação plaquetária por 6 meses

Fechamento cirúrgico

Indicado quando o fechamento percutâneo não é anatomicamente viável ou em tipos não-secundum. Pode ser feito por via convencional (esternotomia), minimamente invasiva (minitoracotomia lateral direita) ou robótica.

  • Fechamento direto (sutura) ou com patch de pericárdio autólogo ou bovino
  • Padrão de eficácia de longo prazo comprovado
  • Permite tratamento concomitante de lesões associadas (valva tricúspide, drenagem venosa anômala)
  • Abordagem minimamente invasiva possível em casos selecionados, especialmente em pacientes jovens

Como é realizado o fechamento cirúrgico

  1. Avaliação pré-operatória detalhada — ecocardiograma transtorácico e transesofágico, tomografia quando necessária, exames laboratoriais e avaliação anestésica.
  2. Anestesia geral e monitorização — acessos vasculares, ecocardiograma transesofágico intraoperatório.
  3. Acesso ao coração — conforme o planejamento: esternotomia total, mini-esternotomia, minitoracotomia lateral direita ou portais robóticos.
  4. Circulação extracorpórea — canulação adequada, hipotermia moderada, proteção miocárdica com cardioplegia.
  5. Atriotomia direita e fechamento do defeito — inspeção do septo, fechamento direto (sutura) ou com patch de pericárdio, conforme tamanho e geometria do defeito.
  6. Desmame de circulação extracorpórea e ecocardiograma de controle — verificação de ausência de shunt residual e função ventricular.
  7. Hemostasia, drenagem e fechamento — seguindo a via de acesso escolhida.
  8. Pós-operatório em UTI — controle hemodinâmico, extubação precoce e mobilização nas primeiras horas.

Benefícios do fechamento bem indicado

Reversão da sobrecarga direita

Redução progressiva do diâmetro das câmaras direitas após o fechamento, quando realizado antes de disfunção irreversível.

Alívio de sintomas

Melhora da capacidade funcional e redução da dispneia aos esforços em pacientes sintomáticos.

Menor risco de arritmias

Redução da incidência de fibrilação e flutter atriais, especialmente quando o fechamento é precoce.

Prevenção de embolia paradoxal

Eliminação da comunicação entre as câmaras, evitando passagem de êmbolos do sistema venoso para o arterial.

Proteção pulmonar

Redução do fluxo pulmonar excessivo, prevenindo a evolução para hipertensão pulmonar fixa.

Recuperação rápida

Nas abordagens minimamente invasivas e percutâneas, retorno precoce às atividades cotidianas.

O pós-operatório

Após o fechamento cirúrgico, o paciente permanece em UTI por 12 a 24 horas, com alta hospitalar em 3 a 5 dias na maioria dos casos. Em fechamentos percutâneos, a alta ocorre tipicamente em 24–48 horas.

Nas primeiras semanas recomenda-se evitar esforços físicos intensos; a reabilitação cardiovascular é indicada de acordo com o caso. Fazem parte do seguimento:

  • Ecocardiograma de controle nos primeiros 30 dias, 6 meses e anualmente
  • Antiagregação plaquetária (dispositivo percutâneo) conforme protocolo
  • Profilaxia de endocardite conforme o caso, por período determinado
  • Acompanhamento ambulatorial com o cirurgião e o cardiologista

Perguntas comuns sobre a CIA

Não. CIAs pequenas, sem repercussão hemodinâmica e sem sintomas podem ser apenas acompanhadas. A indicação de fechamento é clínica e ecocardiográfica, considerando tamanho do shunt, sobrecarga das câmaras direitas e sintomas.

O forame oval é uma estrutura normal da vida fetal que geralmente fecha após o nascimento; quando permanece, chamamos de forame oval patente (FOP) — em geral sem shunt significativo em repouso. A CIA é um defeito estrutural do septo atrial, com perda de tecido e shunt contínuo. As indicações de fechamento e os métodos também diferem. Veja a página sobre FOP.

Sim. CIAs do tipo ostium secundum, com bordas adequadas, podem ser fechadas por cateter, via veia femoral, com implante de dispositivo oclusor. Quando a cirurgia é necessária, existem as opções minimamente invasiva e robótica, que evitam a esternotomia convencional em casos selecionados.

No fechamento percutâneo, a alta costuma ocorrer em 24–48 horas. Na cirurgia por minitoracotomia ou robótica, em 3–5 dias. O retorno a atividades leves se dá em 2 a 4 semanas, com recuperação completa entre 4 e 8 semanas, conforme a via de acesso e o perfil do paciente.

Sim. Tanto o fechamento cirúrgico quanto o percutâneo são tratamentos definitivos na maioria dos casos. O seguimento ecocardiográfico confirma a ausência de shunt residual e o remodelamento das câmaras direitas ao longo dos meses seguintes.

Sim. A CIA é frequentemente diagnosticada já na vida adulta e o fechamento, quando indicado, pode ser realizado em qualquer idade — desde que não haja hipertensão pulmonar fixa. Fechar o defeito antes do surgimento de arritmias atriais e disfunção ventricular traz os melhores resultados de longo prazo.

Diagnosticou uma CIA no seu ecocardiograma?

Agende uma avaliação para discutir o melhor momento e a melhor via para o fechamento no seu caso.

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